sexta-feira, 17 de abril de 2009

A cultura da morte


Não há nada mais rudimentar que, em pleno século XXI, tenhamos a discrepância racional de debatermos a legalização do aborto. Sei que há uma gama enorme de magistrados, médicos, políticos e cidadãos expondo a questão "como caso de saúde pública", ou seja, para o bem das pobres mulheres marginalizadas e oprimidas por uma tradição machista e patriarcal. Porém, a situação envolve uma série de problemas axiológicos, filosóficos e científicos, sem falar de antropológicos dos quais "a massa" televisivamente guiada não pode responder, tampouco compreender, por viver em um massivo senso comum. Por isso, vale apena fazer aqui algumas ressalvas.
Quando coloca-se o problema axiológico como um dos escopos do debate, acerca do aborto, tem-se em mente esclarecer aspectos morais e valores relevantes para a civilização que estão sendo postos de lado, tais como: o valor da vida desde a origem, as responsabilidades individuais diante de uma gravidez, a sexualidade vivida de forma irresponsável, o valor do amor, entre outros valores. No entanto, essas discussões estão longe de serem postas para "a massa" por parte de nossos intelectuais, artistas, médicos e operadores do direito. Outro elemento dessa questão se encontra na realidade filosófica, ai meu Deus! Para o povo brasileiro o qual possui uma crônica disfunção literária e filosófica a relação entre aborto e filosofia só seria possível se filosofia fosse o nome de alguma mãe abortista, visto que, categorias/ conceitos filosóficos como: pessoa, psiqué, dentre outros, relacionados com o ser humano só seriam reconhecidos pela massa midiática se postos nas novelas globais. Mas o escandalosamente terrível é que filósofos, psicólogos e até mesmo políticos divagam especulações e conclusões pró-abortistas, rompendo assim com a necessidade de maiores discussões filosóficas acerca do tema. Agora sim, põe-se diante de vocês a linha de análise do real que mais instiga e embasa os defessores do aborto: a ciência. Dizem os abortistas: " a ciência deve caminhar diante de si própria, longe da religião, pois cada uma segue caminhos opostos", também "acho", porém nossa achologia não pode ser dogmática, mas vamos para frente. Também dizem, alguns e não todos pró-abortistas, ter a ciência afirmado que "o começo da vida se dá após a formação neurocelebral", mas pelo que me consta para a maioria dos biólogos a vida começa com a fecundação entre o zigoto com o espermatozóide, ou seja, na concepção, e os biólogos não são cientistas? Ai,ai,ai,ui,ui; e agora josé, nem Drummond saberia poetizar uma cituação assim. E a massa midiática, meu Deus! Será que ela sabe o que é espermatozóide? Ah isso sabem porque passa no fantástico que é ciência pura. Mas dúvido saberem que existem essas concepções divergentes dentre os cientistas. Por fim, a questão antropológica, que de certa maneira engloba todos os outros aspectos já postos, mas adentra a cultura e a sociabilidade do homem.
A antropologia do aborto é algo peculiar, e pós-cristã, visto que, a antropologia do aborto visa defender o direito de a mulher se proteger de uma cituação castrante e, não poucas vezes, angustiante. Me solidarizo aqui com todas as mulheres que sofrem pelo abandono covarde de seus parceiros diante de uma gravidez ineperada, ou por aquelas que são vítimas de um ser perturbado que não consegue controlar seus instintos sexuais, seja no casamento, seja em um estupro, e também me solidariso pelas mulheres que sofrem com filhos deficientes cerebrais intra-uterinos, contudo, não se pode admitir uma cultura de morte, unicamente por questões esporádicas visto que, a maioria das mulheres não abortam e também o Estado não protege a família, pelo contrário, estipula politicamente um salario minímo miserável e inviável para o sustento de uma pessoa, e imaginem para o sustento de uma família burguesa de quatro pessoas. Além do mais, a antropologia não pode interferir na realidade, mas pode e deve interpretá-la realisticamente sem demasiadas ilusões ou enormes desvios demagógicos, para mostrar a sociedade intelectual, pois querendo ou não, é essa comunidade que agora está no domínio da massa midiática, os outros valores como a vida do ser humano embrionário, a sua dignidade enquanto ser social e cultural costituído de direitos. Sabem por que a preocupação com isso? Porque a ciência avança, e daqui há alguns anos saberemos, com certeza, se um bebê terá ou não sindrome de Daw e dirão: "os pais devem escolher se querem ter ou não filho", aí está o núcleo do problema, a questão não é o sofrimento da mulher, isso é um argumento falacioso e sofista o qual esconde a questão nuclear da defesa neurótica do aborto irrestrito que é a posição ideológica de fugir das questões filosóficas e sociais, e construir uma sociedade perfeita as custas de seres humanos assassinados produzindo com isso uma "Deusa Ciência" in loco do antigo e ultrapassado Deus Cristão.



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